Os empresários e profissionais de RH estão enfrentando um forte desafio que é atender as demandas organizacionais por meio da atração e retenção de talentos capazes de resolver os problemas e entregar os resultados necessários para manter a organização competitiva. É quase que uníssono os argumentos utilizados por parte dos gestores ao repetirem que os processos de Recrutamento e Seleção – R&S de profissionais estão cada vez mais difíceis, tendo em vista a escassez de profissionais qualificados ou que, pelo menos, demonstrem interesse em enfrentar os desafios apresentados pelas empresas. Dentre as variáveis que estão contribuindo para elevar o nível de dificuldade nos processos de R&S está a utilização da estratégia de busca de profissionais focada apenas em suas áreas de formações específicas e ou cargos ocupados anteriormente. Tais estratégias são embasadas em certificados, diplomas de graduação/pós-graduação e/ou registros em carteira de cargos ocupados anteriormente.
A adoção desta estratégia pode elevar consideravelmente a possibilidade de insucesso na busca por profissionais qualificados, uma vez que não prioriza, em um primeiro momento, as competências técnicas e ou comportamentais adquiridas por meio das vivências e experiências práticas e atividades diversas. Vale ressaltar que histórico de cargos ocupados específicos também não são garantia de domínio de determinadas habilidades e competências, uma vez que em algumas situações a nomenclatura do cargo não traduz necessariamente as atividades realizadas, como por exemplo o profissional que ocupou o cargo de “Gerente de Logística” de uma empresa que realizava toda sua distribuição por meio de frota de terceiros e, assim, o “Gerente” não era responsável por atividades voltadas para controle de frota, sendo que este profissional se candidatou para o cargo de “Gerente de Logística” de uma empresa que possui frota própria e necessita de um profissional com habilidades e competências voltadas também para o controle de frota. Assim, o simples fato de ter ocupado o cargo de “Gerente de Logística” não o credencia automaticamente para ocupar a vaga disponível. Uma das alternativas para enfrentar esse desafio é a abordagem Skills-first a qual foi proposta pelo Fórum Econômico Mundial em 2023. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a abordagem Skills-First é uma filosofia de gestão de talentos que coloca as habilidades e competências individuais no centro das estratégias de aquisição, desenvolvimento e retenção de talentos nas organizações (Bruno Leonardo, Vice President of Corporate Education da Exame. Publicado em 31 de outubro de 2023 às 10h10) ¹. Neste sentido, a abordagem Skills-first atribui maior relevância as habilidades técnicas e comportamentais dos profissionais ao invés das credenciais acadêmicas e/ou cargos ocupados, valorizando a capacidade dos profissionais de executar suas atividades no ambiente organizacional. Assim, o foco da abordagem é atrair talentos para a organização que possuam atributos necessários na resolução de problemas e garantir a competitividade organizacional.
Não há uma fórmula pronta para utilizar Skills-first já que cada empresa, projeto ou situação poderá exigir aspectos particulares. O importante é a empresa compreender que o horizonte de recrutamento e seleção pode ser ampliado com a expansão da perspectiva da busca por habilidades e competências ao invés de credenciais acadêmicas e ou cargos ocupados exclusivamente. Outro ponto a ser observado é que a Skills-First não preconiza a exclusão dos processos seletivos de profissionais graduados ou que possuem certificações acadêmicas, tendo em vista a legislação brasileira que prevê a ocupação de determinados cargos exclusivamente por profissionais habilitados e certificados, porém a Skills-First enfatiza que o foco deve ser na identificação das competências e habilidades demandadas para tal situação, não valorizando o local nem como tais habilidades foram adquiridas pelo profissional. O que realmente importa é se o profissional será capaz de entregar o que a empresa necessita. Um exemplo seria a contratação de um profissional para programação e/ou análise de dados, pois esta é uma área de atuação em que o profissional pode desenvolver sua hard skill em ambientes além do acadêmico. Isto posto, os gestores e profissionais de RH devem avaliar sua mind set no sentido de ampliar sua visão de que há outras oportunidades para suprir a organização com talentos quando o foco passar a ser a busca de talentos que possuam as habilidades e competências individuais que potencializam a competitividade da empresa. A realização de processos de R&S baseados em Skills-First pode ser feita internamente pela própria equipe da empresa ou por meio dos serviços de empresas de consultoria voltadas para processo de R&S.
¹https://exame.com/carreira/skills-first-o-futuro-do-trabalho-esta-focado-em-priorizar-as habilidades/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento.
Por Djosete Santos, MSc. & Caroline Werner, MSc.
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